Saudade que não dormi nunca
Que se superar em cada acordar alheio
que olha a música, que come a temperatura, que cheira a paisagem
De tudo
tudo tudo
me lembra de tudo de ti
Teu sorriso tímid...
sua vozzzzzzzzzzzzzz
tua vulgaridade comum e particular
teus pés ressecados
e aquele cheiro de erva doce do teu mundo
Minha casa apodrece com a sua saudade
eu nem sei como fazer sem ...
daí passaram horas, dias, semanas, agora meses
sempre parece que passou
sempre estou naquele dia
todos os dias são aquele dia de certa forma
desmaio de Sol, desmaio de Lua
sexta-feira, 30 de outubro de 2009
terça-feira, 6 de outubro de 2009
A chegada
Se ele chegasse de repente eu teria um susto e o devoraria como se tivesse passando meses sem comer.
Se ele chegasse num instante eu pertenceria a ele pra sempre e viveríamos dentro de um cubo de gelo.
Se ele chegasse correndo eu ficaria blasé e o deixaria passar reto sem me perceber.
Se ele chegasse cansado eu entraria no quarto pra dormir e acordaria sem graça.
Se ele chegasse feliz não sei o que faria por que geralmente não sei o que fazer com a felicidade alheia.
Se ele chegasse pagando a conta o amaria por ano e depois deixaria ele ir embora com uma espontanea pressão.
Se ele chegasse pisando em ovos eu daria os gritos mais agudos de uma soprano em desespero.
Se ele chegasse me abraçando tentaria fugir quebrando galhos e pisando em flores.
Se ele chegasse mudo eu choraria manso e silencioso num cantinho do quarto.
Se ele chegasse cantando eu o abraçaria e dançaríamos durante horas e dias. Mesmo a dormir dançaríamos em sonho sob sua voz.
Se ele chegasse sem querer eu o aceitaria sem querer, em paz e sem fim sem ponto
Não é que o final seja feliz.
Apenas não é previsível, mesmo quando conhecemos o fim
Se ele chegasse num instante eu pertenceria a ele pra sempre e viveríamos dentro de um cubo de gelo.
Se ele chegasse correndo eu ficaria blasé e o deixaria passar reto sem me perceber.
Se ele chegasse cansado eu entraria no quarto pra dormir e acordaria sem graça.
Se ele chegasse feliz não sei o que faria por que geralmente não sei o que fazer com a felicidade alheia.
Se ele chegasse pagando a conta o amaria por ano e depois deixaria ele ir embora com uma espontanea pressão.
Se ele chegasse pisando em ovos eu daria os gritos mais agudos de uma soprano em desespero.
Se ele chegasse me abraçando tentaria fugir quebrando galhos e pisando em flores.
Se ele chegasse mudo eu choraria manso e silencioso num cantinho do quarto.
Se ele chegasse cantando eu o abraçaria e dançaríamos durante horas e dias. Mesmo a dormir dançaríamos em sonho sob sua voz.
Se ele chegasse sem querer eu o aceitaria sem querer, em paz e sem fim sem ponto
Não é que o final seja feliz.
Apenas não é previsível, mesmo quando conhecemos o fim
segunda-feira, 24 de agosto de 2009
Para quem é A Mais Forte
Abre os olhos e encara a vida! A sina
Tem que cumprir-se! Alarga os horizontes!
Por sobre lamaçais alteia pontes
Com tuas mãos preciosas de menina.
Nessa estrada de vida que fascina
Caminha sempre em frente, além dos montes!
Morde os frutos a rir! Bebe nas fontes!
Beija aqueles que a sorte te destina!
Trata por tu a mais longínqua estrela,
Escava com as mãos a própria cova
E depois, a sorrir, deita-te nela!
Que as mãos da terra façam, com amor,
Da graça do teu corpo, esguia e nova,
Surgir à luz a haste de uma flor!...
Tem que cumprir-se! Alarga os horizontes!
Por sobre lamaçais alteia pontes
Com tuas mãos preciosas de menina.
Nessa estrada de vida que fascina
Caminha sempre em frente, além dos montes!
Morde os frutos a rir! Bebe nas fontes!
Beija aqueles que a sorte te destina!
Trata por tu a mais longínqua estrela,
Escava com as mãos a própria cova
E depois, a sorrir, deita-te nela!
Que as mãos da terra façam, com amor,
Da graça do teu corpo, esguia e nova,
Surgir à luz a haste de uma flor!...
sexta-feira, 19 de junho de 2009
Momento mergulha à dor
No topo da montanha eu quero afundar.
Tenho crise. Fico depressivo. Quero morrer. Pular desse prédio.
É dificil sair da própria cova que cavamos.
Sem nehum olho a ver-me.
Só no silêncio.
Como um foco de renovação.
Maldita boca. Boca do inferno.
Síndrome de Gregório de Matos.
Vou sacudir minhas vestes e ir em frente.
Não tenho medo nem de matar-me nem de morrer-me.
Esse meu corpo ansioso, tremente, pré-ocupado entre os fatos de ontem e do porvir.
Pulmôes da minha alma asmática.
Alguém me chame para encher um copo e o corpo de álccol.
Eu quero afundar.
Tenho crise. Fico depressivo. Quero morrer. Pular desse prédio.
É dificil sair da própria cova que cavamos.
Sem nehum olho a ver-me.
Só no silêncio.
Como um foco de renovação.
Maldita boca. Boca do inferno.
Síndrome de Gregório de Matos.
Vou sacudir minhas vestes e ir em frente.
Não tenho medo nem de matar-me nem de morrer-me.
Esse meu corpo ansioso, tremente, pré-ocupado entre os fatos de ontem e do porvir.
Pulmôes da minha alma asmática.
Alguém me chame para encher um copo e o corpo de álccol.
Eu quero afundar.
segunda-feira, 15 de junho de 2009
Em pensar que não se pode temer nada. Que tudo é menor e gigante tal como se é. Que o mar é uma gota de sentimentos molhando os pensamentos. Que os dedos constroem cidades. Que as ruas nos atravessam enquanto nelas caminhamos. Que a raiz estica a árvore para as suas direções. Que vestir verde nos torna paisagem. Que quebrar a vida é deixar vestígios arqueológicos. Mergulhar nu em negro é atrair todas as cores.
O sonho é não se domar enquanto leão.
O sonho é não se domar enquanto leão.
quinta-feira, 16 de abril de 2009
Onde
Às vezes, estou assim. Às vezes, eu não estou. Às vezes, eu saio. Às vezes, aviso; em outras me calo. Das nuvens negras ataravesso países em corridas. Às vezes, gosto de molhar o corpo. Acendo três cigarros sem dó e me afogo em copos de suco de açúcar azul.
Às vezes, invisível. Às vezes, de cores berrantes e detalhes negros. Às vezes, com casca; em outras descasco mexericas. E gosto de suas lágrimas em meus olhos e do cheiro delas na minha boca. Às vezes, úmido. Às vezes, cimento, barras de ferro e concreto. Às vezes, cascalho desejando ser pó.
Às vezes, perdido com os olhos para o céu. Invisível. Tudo está bem nesses segundos que duram meses.
Às vezes, invisível. Às vezes, de cores berrantes e detalhes negros. Às vezes, com casca; em outras descasco mexericas. E gosto de suas lágrimas em meus olhos e do cheiro delas na minha boca. Às vezes, úmido. Às vezes, cimento, barras de ferro e concreto. Às vezes, cascalho desejando ser pó.
Às vezes, perdido com os olhos para o céu. Invisível. Tudo está bem nesses segundos que duram meses.
terça-feira, 31 de março de 2009
Receitinhas para olhos tristes e labios de sorriso doce
Desfigure a mascara de todos os dias.
Ponha o Sol na bolsa.
Se for um dia de chuva, use-a como anel.
Desmanche as nuvens com o piscar dos olhos.
Faça da grama o forro interno do casaco.
Dos carros corridos do asfalto, costure sua calça.
Como relogio jogue pedras para o alto.
Ponha o Sol na bolsa.
Se for um dia de chuva, use-a como anel.
Desmanche as nuvens com o piscar dos olhos.
Faça da grama o forro interno do casaco.
Dos carros corridos do asfalto, costure sua calça.
Como relogio jogue pedras para o alto.
quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009
sexta-feira, 16 de janeiro de 2009
epitáfio em fá maior para a mulher do incrível rosto de mármore do meu sonho
E fica o buraco. O oco de nós. Nosso laço se parte. Nossos rostos incham. Estamos desfigurados. Eu nunca mais vou ouvir sua canção em sua voz. Não terei braços de me enroscar. Nunca mais serei brinco da tua orelha. Nem terei como correr das suas fugas. Assim como tu, se vão as lembranças, os meus brinquedos, algumas razões, muitas lógicas. Você se fez iniciativa. Fugiu antes que te alcançassem. Esqueceu de me pegar no colo, mas me deixou meu leite pronto e gelado, refrescando essa dor que parece ser eterna.
Não gosto das fotografias. É tudo cru, os sorrisos estão congelados.
Por dias tenho dito: A morte é uma tempestade de ventos multidirecionais e refrescantes no Sol do meio-dia
Não gosto das fotografias. É tudo cru, os sorrisos estão congelados.
Por dias tenho dito: A morte é uma tempestade de ventos multidirecionais e refrescantes no Sol do meio-dia
domingo, 4 de janeiro de 2009
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