segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Paixão


A paixão é invisível.

A paixão é para ser tocada com a pele da língua.

É de se roçar os pelos do nariz.

Vidra o olhar como hipnose.

Tem um gosto amargo como folhas verdes.

A paixão é cítrica como o mato.

Paixão é clorofila. É a seiva do outro que escorre como suor no rosto, nos braços, na pele, nas pernas, nos dedos.

Na floresta mora a paixão, a bruxa dos contos infantis.

A paixão é uma boca de dentes tortos, vorazes e famintos.

Não há como não se apaixonar.

Não há como não ser árvore.

Chamar-lhe "Paixão" é plantá-lo, regá-lo, colhê-lo em regalos.

Estamos perdidos numa selva de dedos funcionais entorpecidos.

Eternamente querentes, cansados, saudosos dessa doença verde e dos mamilos de fel a morder.


It's only you

Who can tear me apart

And it's only you

Who can turn my wooden heart.

1 comentários:

Denise Zarat disse...

Muito sexy. Muito, muito, muito verde.