
A paixão é invisível.
A paixão é para ser tocada com a pele da língua.
É de se roçar os pelos do nariz.
Vidra o olhar como hipnose.
Tem um gosto amargo como folhas verdes.
A paixão é cítrica como o mato.
Paixão é clorofila. É a seiva do outro que escorre como suor no rosto, nos braços, na pele, nas pernas, nos dedos.
Na floresta mora a paixão, a bruxa dos contos infantis.
A paixão é uma boca de dentes tortos, vorazes e famintos.
Não há como não se apaixonar.
Não há como não ser árvore.
Chamar-lhe "Paixão" é plantá-lo, regá-lo, colhê-lo em regalos.
Estamos perdidos numa selva de dedos funcionais entorpecidos.
Eternamente querentes, cansados, saudosos dessa doença verde e dos mamilos de fel a morder.
It's only you
Who can tear me apart
And it's only you
Who can turn my wooden heart.
1 comentários:
Muito sexy. Muito, muito, muito verde.
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